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INDÚSTRIA - Brasil amplia demanda por insumos críticos na mineração
27/02/2026
Fortalecimento do setor de mineração eleva o rigor na homologação de insumos. Segurança operacional, rastreabilidade e logística no prazo decidem contratos
Dados do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) revelam que o setor mineral do Brasil encerrou 2025 com faturamento de R$ 298,8 bilhões, registrando crescimento superior a 10% em relação ao ano de 2024, com minério de ferro respondendo por mais da metade desse valor. A atividade mineral, de acordo com a Times Brasil, também foi responsável por cerca de 55% do saldo positivo da balança comercial brasileira no mesmo período, consolidando o peso do segmento na economia nacional.
A matéria reforça que esses números definem o papel estratégico da mineração no Brasil, mas também destaca um aspecto menos visível da cadeia produtiva: a importância crescente dos insumos químicos industriais. Qualidade, rastreabilidade e entrega no prazo passaram a ser fatores decisivos para manter a competitividade e eficiência das operações.
Uma pesquisa do próprio IBRAM, divulgada pelo Broadcast, mostra ainda que o setor mineral registrou faturamento de R$ 76,2 bilhões no terceiro trimestre do ano passado, com alta de 34% em relação ao mesmo período de 2024. Segundo analistas, isso mostra a resiliência e o dinamismo da atividade mesmo nos segmentos em que os preços internacionais oscilam.
Nesse contexto, fornecedores de insumos industriais identificam um movimento claro: as mineradoras estão comprando com foco em risco e custo total de operação, e não apenas em preço por tonelada. Segundo Renan Coelho, diretor comercial da Katrium Indústrias Químicas (Grupo Quimpac), “a mineração compra primeiro constância de especificação e segurança, depois logística previsível, e só então considera preço unitário”. Na opinião do executivo, a conta real inclui paradas de planta (planejadas e imprevistas), retrabalho, perdas de processo e risco de não conformidade operacional.
Coelho explica que essa mudança de critérios é particularmente relevante em rotas onde a variação de especificação pode comprometer rendimento e segurança. “Em processos hidrometalúrgicos e de refino, como aqueles que envolvem reagentes alcalinos, um lote fora do padrão pode significar não só custo maior, mas paradas programadas e revisões complexas no processo produtivo”, afirma. Nessas aplicações industriais, a estabilidade da solução e a baixa presença de impurezas são requisitos que influenciam diretamente a eficiência, a geração de subprodutos e a conformidade ambiental e de segurança.
A transformação nas práticas de compra é parte de um movimento mais amplo. De acordo com o executivo, como a mineração responde por mais da metade do saldo comercial do país e atrai projeções robustas de investimento para os próximos anos, empresas do setor têm reforçado a ênfase em contratos de fornecimento com SLAs (Acordos de Nível de Serviço), estoques de segurança e programas de rastreabilidade de lotes. Esses elementos vêm se tornando, assim, diferenciais competitivos no momento da homologação de fornecedores.
“São critérios que surgem tanto da necessidade de reduzir risco operacional quanto de atender a exigências crescentes de compliance e ESG (ambiental, social e governança)”, destaca Coelho. Ele menciona que, em muitos casos, homologações técnicas em mineração envolvem não só documentação e testes de bancada, mas auditorias cruzadas, inspeções e requisitos detalhados de rastreabilidade digital do insumo desde a matéria-prima até o destino final.
Especialistas do setor também vêm observando essa tendência. O relatório técnico “O papel do Brasil na agenda global de minerais críticos e estratégicos”, divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil no final de 2025, indica que as cadeias de suprimentos de minerais críticos, em particular aqueles associados à energia e tecnologia, estão sob pressão para aumentar a transparência, reduzir dependência externa e fortalecer resiliência logística, sempre num ambiente global mais competitivo e volátil.
Na prática, essa mudança impacta desde a escolha de produtos químicos básicos até a forma de estruturar a logística e os contratos de longo prazo. “Embora insumos como reagentes, aditivos ou intermediários químicos não sejam tão visíveis quanto minério de ferro ou ouro, eles desempenham um papel central na eficiência operacional, segurança de processos e sustentabilidade ambiental das grandes operações mineiras”, avalia Coelho.
Como desdobramento, o executivo afirma que o mercado começa a valorizar a previsibilidade e a qualidade mensurável, abrindo espaço para fornecedores capazes de oferecer pacotes completos, desde a especificação técnica rigorosa à logística programada. “Trata-se de um setor que segue como peça-chave da economia brasileira”, diz o diretor comercial da Katrium.