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Artigo: O novo papel do gestor em saúde

28/05/2007

Luis Natel*


Nos últimos anos, o setor de saúde vem investindo fortemente na profissionalização de seus administradores. O médico, que até bem pouco tempo atrás tinha sua figura confundida com “dono”, “chefe”, ou até mesmo “deus”, hoje dedica maior parte de seu tempo à medicina, delegando a gestão do negócio – consultório, clínica ou hospital – a profissionais especializados em administração. Vale ressaltar o mérito de alguns médicos que buscaram uma especialização em gestão e vem administrando suas empresas com sucesso. Ainda assim, são exceção.

Apesar de todo investimento que vem sendo feito, tanto na contratação e capacitação de pessoal, como em tecnologia e infra-estrutura, as dificuldades que os executivos enfrentam ao ingressarem no setor de serviços em saúde são enormes.

Primeiramente, porque o setor de serviços sempre foi e sempre será bastante complexo, uma vez que implica no relacionamento constante entre pessoas – e as pessoas são complexas. É importante destacar que, dentro desse movimento de profissionalização, o momento atual ainda é de transição. Abandonar uma cultura familiar, paternalista e menos profissional para uma situação completamente oposta requer um esforço gigantesco para que o foco esteja ajustado na mesma direção. O sucesso do novo modelo depende, assim, da habilidade em gerenciar conflitos de geração, pessoais e culturais da forma mais racional possível.

O segundo ponto é que, com exceção dos médicos que são bastante treinados para lidar com pacientes em situações adversas, o administrador que inicia nesse mercado não tem noção da complexidade das situações que o corpo humano pode gerar, e isto tudo regado com muita emotividade. Há situações em que certamente o administrador terá de desenvolver seu lado “médico” (já existem cursos que auxiliam o entendimento do setor, mas sem dúvida é na prática que as coisas amadurecem), tendo em vista que qualquer equívoco de sua parte poderá significar a vida de uma pessoa.

O terceiro ponto de complexidade do setor é a constante evolução da medicina e de sua tecnologia. Isto fica claro quando vemos empresas como Philips, GE e Siemmens investido pesadamente no desenvolvimento de novos equipamentos e produtos para o setor, obtendo seus maiores resultados tanto em lucro como em crescimento das vendas para o setor de medicina. Essa evolução exige das empresas de medicina constante atualização e grandes investimentos, muito embora o mercado nem sempre esteja disposto a remunerar por isso, apesar de exigir a disponibilidade do serviço, mesmo porque, muitos diagnósticos podem ficar comprometidos pela falta de qualidade ou de tecnologia do equipamento (EX: Mamografia digital vs convencional).

Por fim, mas não menos importante, temos um setor que se tornou regulado e regulamentado há pouco tempo se comparado com outros tão antigos quanto o setor de saúde, o que torna a curva de aprendizado das empresas mais extensa, bem como a dos órgãos regulamentadores.

Certamente, no contexto nacional, o setor de saúde passará por uma das maiores evoluções nos próximos anos. O processo de profissionalização crescente é inevitável, assim como movimentos de consolidação e de abertura de capital de várias empresas, tornando-o cada vez mais complexo e competitivo. Preparem-se. ■


*Luis Natel é administrador e superintendente da URP Diagnósticos Médicos, uma das clínicas mais consolidadas de São Paulo especializada em diagnósticos radiológicos, com 53 anos de vida. (www.urp.com.br)

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